Naturalmente que Kant parece esquecer-se da enorme e angustiosa fragilidade humana, aquela que dificilmente permitirá, a este homem, reconhecer qualquer espécie de luminosidade que não a que partilha com o seu semelhante, e sempre num inevitável jogo de vencedores e vencidos.
Friday, July 30, 2010
Kant rejeita a ideia de indivíduo acomodado. A sua filosofia, e em especial o seu pensamento político, representa o travão do que hoje comummente se designa de delegação de poderes. Não há uma instância ou instituição que deva fazer a crítica por nós pois nós próprios a fazemos, nós somos os proprietários da crítica e não temos de usufruir a crítica que outros fazem por nós porque nenhuma instituição é sua/nossa proprietária. Nós mesmos, quando queremos sair da menoridade, podemos e devemos fazer uso da crítica racional, não precisando de usufruir da crítica que outros fazem por nós pelo simples facto de nós próprios sermos os críticos e os seus proprietários.
Naturalmente que Kant parece esquecer-se da enorme e angustiosa fragilidade humana, aquela que dificilmente permitirá, a este homem, reconhecer qualquer espécie de luminosidade que não a que partilha com o seu semelhante, e sempre num inevitável jogo de vencedores e vencidos.
Naturalmente que Kant parece esquecer-se da enorme e angustiosa fragilidade humana, aquela que dificilmente permitirá, a este homem, reconhecer qualquer espécie de luminosidade que não a que partilha com o seu semelhante, e sempre num inevitável jogo de vencedores e vencidos.
Tuesday, July 27, 2010
Trabalho de João Martinho Moura
Research work. Computer graphics character animation. Digital body expression.
Work in progress under virtual character animation,
involving an upcoming game title.
2010
Supervision and Coordination : ANA DE CASTRO CORREIA
Digital Art: JOÃO MARTINHO MOURA
Sound: JOÃO MARTINHO MOURA / ARTUR MOURA
Developed in TFDT.ORG CG Studio
more information: tfdt.org/cg-character-animation
Work in progress under virtual character animation,
involving an upcoming game title.
2010
Supervision and Coordination : ANA DE CASTRO CORREIA
Digital Art: JOÃO MARTINHO MOURA
Sound: JOÃO MARTINHO MOURA / ARTUR MOURA
Developed in TFDT.ORG CG Studio
more information: tfdt.org/cg-character-animation
CG Character Animation Work TFDT.ORG from Joao Martinho Moura on Vimeo.
A verdade não se estabelece em princípios universais, mas na avaliação do benefícios e riscos que todas as situações da nossa existência - sempre misteriosa - comportam. É neste sentido que partilho da ideia que não há outra filosofia (com mais validade) que a pragmática, mesmo que esta resulte do criterioso estudo de todas as outras.
Artur Moura
Artur Moura
Monday, July 26, 2010
Pensar com: Zita Seabra
Uma das nossas mais estimulantes intelectuais em Socialistas, liberais, mesmo neoliberais radicais
2010-07-25
«Liga-se a televisão ou abrem-se os jornais e, subitamente, a política deixou o campo concreto da realidade das contas públicas para passar para um pretenso terreno ideológico em que, à boa maneira portuguesa, tudo se reduz ao rótulo, ao chavão. Durante anos, era tudo comunista. Bastava falar ou pensar em liberdade para se ser apelidado de comunista. Seguiu-se o fascista. Passou-se pelo capitalista versus o socialista. Meteu-se o socialismo na gaveta e parecia que tínhamos ficado sem rótulos. O que realmente não dava muito jeito a qualquer ministro ou deputado que viesse à televisão arrumar o assunto em poucos segundos.
Há anos que esta cena se repete. Em vez de discutirmos seriamente, de repensamos o papel do Estado, de olharmos para o ponto a que chegámos na dívida pública e as ameaças que pairam sobre nós, gritamos slogans ocos, a maior parte das vezes usados com evidente ignorância do seu significado, mas apenas como rótulo.
Na memória colectiva da vida política destes 30 anos de liberdade é reconhecido o esforço imenso que é necessário fazer para sair do slogan para a realidade da vida e aguentar a pé firme a gritaria. Não é por acaso que os partidos portugueses nestas guerras verbais mudaram de nomes ou acrescentaram vagos conceitos estranhos ao nome. O CDS acrescentou PP, o PPD passou a PSD, o PS virou rosa e cor-de-rosa.
Agora que o país chegou a um duríssimo impasse económico, financeiro e político voltámos rapidamente ao slogan. O slogan da moda é chamar liberal, acrescentando "direi mesmo neoliberal"!
Esta semana foram divulgados os dados do último semestre e a dívida pública aumentou. Gastamos mês a mês mais do que produzimos e, dia-a-dia, a situação agrava-se. Todos sabemos que o Estado gasta de mais e emprega de mais. Mas todos sabemos que a resolução da questão significa agravar o desemprego e retirar direitos fundamentais na Saúde, na Educação, na Segurança Social.
Chegados a este impasse, é garantido que assistimos à gritaria destes últimos dias. Quem tiver a mínima proposta de medidas estruturais que mudem a situação e apontem caminho de saída mesmo ténue é recebido com um ataque de "liberal", direi mesmo "neoliberal", misturado com uma conversa vaga contra "esta" globalização e, quando se pretende ser mais "erudito", passa-se mesmo ao conceito de "neoliberal de capitalismo radical", ou vice-versa.
No seguimento e perante a força da realidade e o vazio dos rótulos, os primeiros-ministros portugueses costumam desaparecer para um cargo internacional na melhor das hipóteses.
A gritaria ignorante que se sucede nas tribunas televisivas seria até divertida de assistir se o país não estivesse na bancarrota. Tanto mais, chamar a alguém liberal ou neoliberal no momento em que os mais conservadores governos do Mundo têm de andar com os bancos e os banqueiros ao colo, para a economia não colapsar, como aconteceu com Bush ou com o governo alemão.
Quando se conheceram as propostas de revisão constitucional do PSD, vieram logo solenemente vários dirigentes socialistas explicar que se tratava de um caminho insuportavelmente "neoliberal".
A questão, porém, é que vivemos um impasse político e um calendário sem saída para o governo socialista. O PSD apontou o caminho a seguir em sede de revisão constitucional, à semelhança, aliás, do que fez Sá Carneiro quando, contra a opinião geral bem-pensante, incluindo no seu próprio partido, apresentou um projecto de revisão constitucional "escandaloso".
O governo socialista está agora condenado a ficar e a encontrar saída para a situação gravíssima que vivemos e, por muito que queiram ser socialistas, liberais, neoliberais, bonzinhos, ou o seu contrário, não há forma de fugir. Têm de garantir que, de 15 em 15 dias, o Estado português consegue financiar-se internacionalmente e que a dívida baixa no segundo semestre.
Normalmente, chegando a esta época do ano, o país parte de férias e esquece. Este ano, porém, não é assim. Os portugueses, conscientes da gravidade da situação e da incerteza do futuro, não partem a banhos e não é difícil imaginar o inferno de vida de qualquer ministro deste governo, impotente de fazer tudo o que sonhou para bem dos portugueses. Olhando alguns, imagino como gostariam de saltar das cadeiras do poder para as manifs da Avenida. Mas não. Não há como. Sinceramente, resta desejar-lhes alguns dias de férias, que a vida vai obrigá-los a fazer o que não querem e o que não desejam.»
2010-07-25
«Liga-se a televisão ou abrem-se os jornais e, subitamente, a política deixou o campo concreto da realidade das contas públicas para passar para um pretenso terreno ideológico em que, à boa maneira portuguesa, tudo se reduz ao rótulo, ao chavão. Durante anos, era tudo comunista. Bastava falar ou pensar em liberdade para se ser apelidado de comunista. Seguiu-se o fascista. Passou-se pelo capitalista versus o socialista. Meteu-se o socialismo na gaveta e parecia que tínhamos ficado sem rótulos. O que realmente não dava muito jeito a qualquer ministro ou deputado que viesse à televisão arrumar o assunto em poucos segundos.
Há anos que esta cena se repete. Em vez de discutirmos seriamente, de repensamos o papel do Estado, de olharmos para o ponto a que chegámos na dívida pública e as ameaças que pairam sobre nós, gritamos slogans ocos, a maior parte das vezes usados com evidente ignorância do seu significado, mas apenas como rótulo.
Na memória colectiva da vida política destes 30 anos de liberdade é reconhecido o esforço imenso que é necessário fazer para sair do slogan para a realidade da vida e aguentar a pé firme a gritaria. Não é por acaso que os partidos portugueses nestas guerras verbais mudaram de nomes ou acrescentaram vagos conceitos estranhos ao nome. O CDS acrescentou PP, o PPD passou a PSD, o PS virou rosa e cor-de-rosa.
Agora que o país chegou a um duríssimo impasse económico, financeiro e político voltámos rapidamente ao slogan. O slogan da moda é chamar liberal, acrescentando "direi mesmo neoliberal"!
Esta semana foram divulgados os dados do último semestre e a dívida pública aumentou. Gastamos mês a mês mais do que produzimos e, dia-a-dia, a situação agrava-se. Todos sabemos que o Estado gasta de mais e emprega de mais. Mas todos sabemos que a resolução da questão significa agravar o desemprego e retirar direitos fundamentais na Saúde, na Educação, na Segurança Social.
Chegados a este impasse, é garantido que assistimos à gritaria destes últimos dias. Quem tiver a mínima proposta de medidas estruturais que mudem a situação e apontem caminho de saída mesmo ténue é recebido com um ataque de "liberal", direi mesmo "neoliberal", misturado com uma conversa vaga contra "esta" globalização e, quando se pretende ser mais "erudito", passa-se mesmo ao conceito de "neoliberal de capitalismo radical", ou vice-versa.
No seguimento e perante a força da realidade e o vazio dos rótulos, os primeiros-ministros portugueses costumam desaparecer para um cargo internacional na melhor das hipóteses.
A gritaria ignorante que se sucede nas tribunas televisivas seria até divertida de assistir se o país não estivesse na bancarrota. Tanto mais, chamar a alguém liberal ou neoliberal no momento em que os mais conservadores governos do Mundo têm de andar com os bancos e os banqueiros ao colo, para a economia não colapsar, como aconteceu com Bush ou com o governo alemão.
Quando se conheceram as propostas de revisão constitucional do PSD, vieram logo solenemente vários dirigentes socialistas explicar que se tratava de um caminho insuportavelmente "neoliberal".
A questão, porém, é que vivemos um impasse político e um calendário sem saída para o governo socialista. O PSD apontou o caminho a seguir em sede de revisão constitucional, à semelhança, aliás, do que fez Sá Carneiro quando, contra a opinião geral bem-pensante, incluindo no seu próprio partido, apresentou um projecto de revisão constitucional "escandaloso".
O governo socialista está agora condenado a ficar e a encontrar saída para a situação gravíssima que vivemos e, por muito que queiram ser socialistas, liberais, neoliberais, bonzinhos, ou o seu contrário, não há forma de fugir. Têm de garantir que, de 15 em 15 dias, o Estado português consegue financiar-se internacionalmente e que a dívida baixa no segundo semestre.
Normalmente, chegando a esta época do ano, o país parte de férias e esquece. Este ano, porém, não é assim. Os portugueses, conscientes da gravidade da situação e da incerteza do futuro, não partem a banhos e não é difícil imaginar o inferno de vida de qualquer ministro deste governo, impotente de fazer tudo o que sonhou para bem dos portugueses. Olhando alguns, imagino como gostariam de saltar das cadeiras do poder para as manifs da Avenida. Mas não. Não há como. Sinceramente, resta desejar-lhes alguns dias de férias, que a vida vai obrigá-los a fazer o que não querem e o que não desejam.»
Monday, July 19, 2010
Kant aproxima-se claramente de uma linha de pensamento que dá absoluta primazia à estrutura moral do dever desenvolvida a partir da sua segunda Crítica; numa moralidade que vai encontrar, na CFJ, a concretização num sentimento (mesmo que não dependa deste), e que é sentido de forma absoluta na fruição ou contemplação estética, e num princípio de reflexão que nos dá, por um lado, indícios da nossa finitude - somos seres que apenas possuímos pontos de vista -, mas, por outro - e porque temos a capacidade de evocação de Ideias que transcendem esses mesmos pontos de vista - indícios do nosso carácter infinito.
Mais kantiano do que isto é impossível, e daí que este filósofo se constitua como o pensador do sistema: racional por um lado, crítico por outro, teórico sempre.
Mais kantiano do que isto é impossível, e daí que este filósofo se constitua como o pensador do sistema: racional por um lado, crítico por outro, teórico sempre.
Friday, July 16, 2010
Composição "mulher" por Artur Moura
Naquele que é um dos melhores poemas de sempre de um poeta português: Herberto Hélder.
Thursday, July 15, 2010
Tuesday, July 13, 2010
Kant é um dos pensadores que ainda nos autoriza a manter a maior e melhor fonte de esperança: enunciar o «porquê?» que busca um sentido,e num princípio que preserva a subjectividade, mas que ao mesmo tempo se resguarda dela, elevando-a.
Claro que o «problema» do Kantismo se situa na sua aplicação prática, e é neste aspecto que não é muito diferente da sua melhor e meu ver mais semelhante ética: o Cristianismo.
Claro que o «problema» do Kantismo se situa na sua aplicação prática, e é neste aspecto que não é muito diferente da sua melhor e meu ver mais semelhante ética: o Cristianismo.

