Pensar com:
Texto 'Roger Scruton' por José Carmo. Roger Scruton é um filósofo polémico e longe de ser consensual. É o mais polémico e intolerado dos pensadores ingleses vivos. É certamente o mais desconsiderado pela academia estabelecida, o mais vituperado pela imprensa progressista, o mais desvirtuado pelos intelectualmente desonestos. É chamado de xenófobo, racista, fascista e todos os restantes epítetos do catálogo. A tudo isto reage sem mover a sobrancelha. Não mostra ultraje nem revolta, apenas uma incredulidade serena que lhe sublinha a excentricidade num mundo em que cada vez mais os intelectuais públicos são figuras esbaforidas e de dedo em riste.
Scruton é polémico. O texto de José Carmo também o é. É impossível concordar com tudo. Mas isso não faz parte da vida?
"Roger Scruton
Aqui há dias um dos nossos ilustres comentaristas torceu o nariz à autoridade académica de Roger Scruton, e logo um dos cromos que por aqui vagueiam, e que quando for grande quer ser agente da Stasi, veio a correr com ficheiro “ético” do filósofo, repleto, como seria de esperar, de grandes malfeitorias.
Excitado, o zote babava qualquer coisa sobre o facto de o ímpio Scruton ter escrito artigos de opinião sobre o tabaco, fazendo-se pagar por uma tabaqueira o que, se bem percebi o zurro do cromo (e peço desculpa pelo meu fraco domínio da linguagem asnática), constituiria autêntico pecado mortal que não só inabilitaria o académico inglês para a vida em sociedade, como seria justificação mais do que suficiente para o colocar a ferros no Linhó, na fila para uma lobotomia radical.
Tratamento que aliás deveria também ter sido aplicado a Fernando Pessoa, esse lacaio do (5º) Império, que, in ilo tempore, andou a vender slogans comerciais à Coca-Cola, como aquele do “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Isto porque a promiscuidade com os capitalistas em geral e com as multinacionais em particular é, como se sabe, um dos sete pecados capitais da imbecilidade esquerdista que faz o nosso tempo.
Com algumas nuances e atenuantes, entenda-se, porque em geral esta a malta adora Frei Tomás, aquele do "faz o que eu digo e não faças o que ele faz", e consome avidamente os produtos e serviços produzidos pelas odiosas multinacionais.
O Dr Louçã, por exemplo, não se desloca montado num jumento e há tempos andava para aí numa carrinha Volkswaggen, multinacional grande como o caraças (e se pensarmos que foi lançada por Adolfo Hitler, isto até podia suscitar algumas interessantes análises psicanalíticas).
Há também quem tenha visto o Coronel Hugo Chavez a lançar diatribes contra o capitalismo, a meio caminho entre um Airbus e um Mercedes topo de gama, e o próprio Daniel Oliveira, eminência pardacenta da nossa esquerda folclórica, vende despudoradamente o seu blogue à financeira da General Electric, representante tenebroso do “Grande Capital” americano.
Não que eu ache mal….pelo contrário, tenho é inveja , mas parece-me detectar aqui um ligeiro odor a hipocrisia.
Bem, adiante que eu estava a falar da obra prima do mestre (Roger Scruton) e não da prima do mestre de obras (o cromo da Stasi).
Roger Scruton além de muitos méritos, entre os quais o de ser um exímio caçador, é um polemista temível, e usa a argumentação com a mesma eficácia com que Billy the Kid usava o Colt 45.
Não tem medo de ninguém e dispara à vista sobre quem pensa que lhe pode disputar a fama a Oeste de Pecos.
Normalmente acerta, pelo que é odiado e temido pelos bonzos da vulgaridade, cujas balas são normalmente feitas com a pólvora seca dos estribilhos do marxismo cultural (vulgo "correcção política").
Scruton escreve com uma clareza desarmante e, em frases secas que todos compreendem, desfaz em meia dúzia de bojardas, as cogitações confusas e pseudo-intelectuais dos pacóvios que acreditam que escrever bem é disfarçar o vazio das ideias, embrulhando-o em rococós elaborados (vidé os pós-modernistas franceses em geral e as bostadas do Dr Boaventura Sousa Santos, em particular).
É pois natural que os marretas do relativismo e da esquerda folclórica o odeiem e, na fúria de verem a pontaria com que Scruton lhes deixa as carecas à mostra, derramam sobre o pistoleiro inglês os mais rancorosos adjectivos, desde demagogo a reaccionário, passando por fascista, radical, obscurantista, enfim, o costume.
E daí à pulsão leninista de lhe assassinar o carácter vai um passinho de criança que qualquer cromo com fetiches da Stasi, está mortinho por dar.
Ora alguém que a esquerda trata com tais mimos, merece sem dúvida ser lido e foi mais ou menos por isso que eu cheguei a Roger Scruton.
Comecei pelo “O Ocidente e o Resto”, uma obra notável, e depois fui por aí adiante. Uma que recomendo especialmente é “Guia de Filosofia para pessoas inteligentes”, texto absolutamente extraordinário no qual Scruton toma o pulso à morte e viaja no tempo e no espaço, desde a Grécia ao Bronx, revisitando as principipais figuras da filosofia e não só, defendendo a tese de que todas as grandes realizações intelectuais estão de algum modo ligadas à crença religiosa de que podemos transcender o tempo."
José Carmo in blog O Triunfo Dos Porcos
Scruton é polémico. O texto de José Carmo também o é. É impossível concordar com tudo. Mas isso não faz parte da vida?
"Roger Scruton
Aqui há dias um dos nossos ilustres comentaristas torceu o nariz à autoridade académica de Roger Scruton, e logo um dos cromos que por aqui vagueiam, e que quando for grande quer ser agente da Stasi, veio a correr com ficheiro “ético” do filósofo, repleto, como seria de esperar, de grandes malfeitorias.
Excitado, o zote babava qualquer coisa sobre o facto de o ímpio Scruton ter escrito artigos de opinião sobre o tabaco, fazendo-se pagar por uma tabaqueira o que, se bem percebi o zurro do cromo (e peço desculpa pelo meu fraco domínio da linguagem asnática), constituiria autêntico pecado mortal que não só inabilitaria o académico inglês para a vida em sociedade, como seria justificação mais do que suficiente para o colocar a ferros no Linhó, na fila para uma lobotomia radical.
Tratamento que aliás deveria também ter sido aplicado a Fernando Pessoa, esse lacaio do (5º) Império, que, in ilo tempore, andou a vender slogans comerciais à Coca-Cola, como aquele do “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Isto porque a promiscuidade com os capitalistas em geral e com as multinacionais em particular é, como se sabe, um dos sete pecados capitais da imbecilidade esquerdista que faz o nosso tempo.
Com algumas nuances e atenuantes, entenda-se, porque em geral esta a malta adora Frei Tomás, aquele do "faz o que eu digo e não faças o que ele faz", e consome avidamente os produtos e serviços produzidos pelas odiosas multinacionais.
O Dr Louçã, por exemplo, não se desloca montado num jumento e há tempos andava para aí numa carrinha Volkswaggen, multinacional grande como o caraças (e se pensarmos que foi lançada por Adolfo Hitler, isto até podia suscitar algumas interessantes análises psicanalíticas).
Há também quem tenha visto o Coronel Hugo Chavez a lançar diatribes contra o capitalismo, a meio caminho entre um Airbus e um Mercedes topo de gama, e o próprio Daniel Oliveira, eminência pardacenta da nossa esquerda folclórica, vende despudoradamente o seu blogue à financeira da General Electric, representante tenebroso do “Grande Capital” americano.
Não que eu ache mal….pelo contrário, tenho é inveja , mas parece-me detectar aqui um ligeiro odor a hipocrisia.
Bem, adiante que eu estava a falar da obra prima do mestre (Roger Scruton) e não da prima do mestre de obras (o cromo da Stasi).
Roger Scruton além de muitos méritos, entre os quais o de ser um exímio caçador, é um polemista temível, e usa a argumentação com a mesma eficácia com que Billy the Kid usava o Colt 45.
Não tem medo de ninguém e dispara à vista sobre quem pensa que lhe pode disputar a fama a Oeste de Pecos.
Normalmente acerta, pelo que é odiado e temido pelos bonzos da vulgaridade, cujas balas são normalmente feitas com a pólvora seca dos estribilhos do marxismo cultural (vulgo "correcção política").
Scruton escreve com uma clareza desarmante e, em frases secas que todos compreendem, desfaz em meia dúzia de bojardas, as cogitações confusas e pseudo-intelectuais dos pacóvios que acreditam que escrever bem é disfarçar o vazio das ideias, embrulhando-o em rococós elaborados (vidé os pós-modernistas franceses em geral e as bostadas do Dr Boaventura Sousa Santos, em particular).
É pois natural que os marretas do relativismo e da esquerda folclórica o odeiem e, na fúria de verem a pontaria com que Scruton lhes deixa as carecas à mostra, derramam sobre o pistoleiro inglês os mais rancorosos adjectivos, desde demagogo a reaccionário, passando por fascista, radical, obscurantista, enfim, o costume.
E daí à pulsão leninista de lhe assassinar o carácter vai um passinho de criança que qualquer cromo com fetiches da Stasi, está mortinho por dar.
Ora alguém que a esquerda trata com tais mimos, merece sem dúvida ser lido e foi mais ou menos por isso que eu cheguei a Roger Scruton.
Comecei pelo “O Ocidente e o Resto”, uma obra notável, e depois fui por aí adiante. Uma que recomendo especialmente é “Guia de Filosofia para pessoas inteligentes”, texto absolutamente extraordinário no qual Scruton toma o pulso à morte e viaja no tempo e no espaço, desde a Grécia ao Bronx, revisitando as principipais figuras da filosofia e não só, defendendo a tese de que todas as grandes realizações intelectuais estão de algum modo ligadas à crença religiosa de que podemos transcender o tempo."
José Carmo in blog O Triunfo Dos Porcos
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