Kant: Ideias Estéticas e Metáforas...
A obra de arte e a beleza natural têm, como vimos já, a capacidade de promover - para quem a contempla de forma desinteressada - um livre jogo das nossas faculdades. Não há, na genuína experiência estética, qualquer "móbil" exterior à própria forma da obra: referimos-nos à utilidade, ao valor económico, à sua qualidade ou estatuto relativamente a um determinado padrão em que a obra se poderia inserir, a pretensão à verdade ou ao belo ou então o seu carácter moral ou ético. Perante uma obra, somos livres de "tornar salientes certas partes da sua estrutura semântica – algumas das quais eram totalmente imprevisíveis antes da manipulação artística do conceito". E na medida em que o equilíbrio subjectivo e solidamente racional que a nossa estrutura cognitiva experimenta perante uma obra artística é também potencialmente reconhecida pelos outros, podemos então, na sequência desta solidez racional, reclamar a anuência dos outros.
Se pensarmos nas metáforas presentes na poesia, forma de arte que em Kant está notoriamente mais relacionada com o uso de conceitos indeterminados, podemos ver que há de facto uma confluência entre ideias estéticas e metáforas. Basta para isso reflectirmos na ideia de metáfora. Uma metáfora é por natureza avessa a qualquer determinação objectiva. Ela é, muito mais, uma tentativa de procura ou, melhor,enunciação de sentido, de um significado. A metáfora não pode ter qualquer pretensão à objectividade. A objectividade apenas desaceleraria o fluxo das nossas faculdades, relegando para "segundo plano" a imaginação e "encapsulando" de imediato no entendimento as intuições fornecidas pela sensibilidade. Ora, equiparar uma metáfora a um conceito determinado é, por si só, incongruente, a não ser que estejamos perante o que foi já apelidado de metáforas mortas, como comummente acontece quando dizemos "pé da mesa" ou "céu-da-boca". Poderemos perfeitamente aplicar à metáfora uma das conclusões Kantianas sobre a ideia estética, enquanto "apresentação que nenhuma linguagem poderá exprimir, permitindo-nos captá-la" (§49), o que nos leva a concluir, como sugere Vítor Moura, que "Kant poderia ser tornado como um adversário cauteloso da «heresia da paráfrase».” .
Se pensarmos nas metáforas presentes na poesia, forma de arte que em Kant está notoriamente mais relacionada com o uso de conceitos indeterminados, podemos ver que há de facto uma confluência entre ideias estéticas e metáforas. Basta para isso reflectirmos na ideia de metáfora. Uma metáfora é por natureza avessa a qualquer determinação objectiva. Ela é, muito mais, uma tentativa de procura ou, melhor,enunciação de sentido, de um significado. A metáfora não pode ter qualquer pretensão à objectividade. A objectividade apenas desaceleraria o fluxo das nossas faculdades, relegando para "segundo plano" a imaginação e "encapsulando" de imediato no entendimento as intuições fornecidas pela sensibilidade. Ora, equiparar uma metáfora a um conceito determinado é, por si só, incongruente, a não ser que estejamos perante o que foi já apelidado de metáforas mortas, como comummente acontece quando dizemos "pé da mesa" ou "céu-da-boca". Poderemos perfeitamente aplicar à metáfora uma das conclusões Kantianas sobre a ideia estética, enquanto "apresentação que nenhuma linguagem poderá exprimir, permitindo-nos captá-la" (§49), o que nos leva a concluir, como sugere Vítor Moura, que "Kant poderia ser tornado como um adversário cauteloso da «heresia da paráfrase».” .
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