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Sunday, April 11, 2010

Das belas palavras:

"O misantropo não detesta a humanidade, detesta a Humanidade, porque só acredita em indivíduos escolhidos e estimados ou amados"
"O misantropo detesta a pieguice, a frase feita, a bondade usada na lapela, as criaturas que acordam bem dispostas, as alegrias compulsivas, as festas exibicionistas, o tédio da conjugalidade, o tribalismo. Daí as suas dificuldades com a vida familiar (o verdadeiro misantropo dificilmente se casa), com a vida pública, sobretudo a política, com a feira das vaidades mundanas, com os consensos fabricados"
"Um misantropo é muitas vezes um cínico"
"rejeitando qualquer convenção hipócrita"

"há falsos misantropos. Os niilistas, por exemplo, parecem detestar toda a gente, mas gostam mesmo é de boémia, e a boémia implica bastante convívio. O niilismo é um ressentimento sofisticado, e o verdadeiro misantropo não é um ressentido, é um puritano"
"Os misantropos comuns não ficam inibidos de contactos humanos ou de emoções. Mas é uma humanidade que se dirige a seres humanos concretos, nunca à humanidade abstracta. Concretos e escassos, e a quem podemos dar e exigir franqueza e sinceridade totais nos comportamentos."

Pedro Mexia, 'Alceste, meu próximo', Público 10 Abril 2010.

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