Refutação kantiana dos argumentos filosóficos ou racionais que pretendem demonstrar a existência de Deus.
Kant é um teórico amplamente marcado por um carisma religioso. Isto é inegável, como é igualmente inegável a sua repulsa da metafísica acrítica e/ou dogmática:
Kant obtivera uma educação pietista, o que terá contribuído fortemente para a crença em Deus e para a existência de milagres. Não obstante, e indo ao encontro do particular registo filosófico que nele florescia, não lhe parecia crível o argumento ontológico que procurava demonstrar apoditicamente a existência de Deus. O mais conhecido destes argumentos é o retomado por Descartes a Santo Anselmo, e que consistia em suscitar no interlocutor a procura de uma realidade que fosse maior do que a qual nada pudesse ser pensado. Tal realidade, defendiam estes pensadores, não podia ser outra que a de Deus. Deus teria, assim, de existir. A conclusão deste argumento resulta da constatação de que a existência é um predicado ou qualidade dessa realidade, pois se assim não fosse, tal não seria a maior realidade que poderíamos pensar, pois teria de existir outra ainda maior e que possuiria o predicado ou qualidade da existência.
Kant levanta um problema a este argumento, e que reside no facto da existência não poder ser um predicado de um conceito. Seguindo a linha de argumentação de Roger Scruton, e usando um exemplo que consideramos esclarecedor, “quando digo que João existe, é calvo e come ostras, estou a atribuir a João duas propriedades e não três (...) dizer que um x existe é não acrescentar nada ao seu conceito: é dizer que o conceito tem consistência". Kant vê no argumento ontológico uma contradição, pois não é o facto de introduzirmos a existência na coisa que viabiliza a passagem do conceito da coisa à sua realidade efectiva. Tal adição apenas a torna oca. Não é pelo facto de qualquer coisa até poder ser ideal que a torna real. O ideal da coisa não afirma, per si, a existência da coisa. Deus é, quando muito, uma ideia, e nada mais. Se o argumento ontológico fosse válido, conclui Kant, a proposição "Deus existe" exprimiria uma verdade analítica, mas a rejeição da existência enquanto predicado implica precisamente o contrário: o carácter sintético dos juízos existenciais.
Kant obtivera uma educação pietista, o que terá contribuído fortemente para a crença em Deus e para a existência de milagres. Não obstante, e indo ao encontro do particular registo filosófico que nele florescia, não lhe parecia crível o argumento ontológico que procurava demonstrar apoditicamente a existência de Deus. O mais conhecido destes argumentos é o retomado por Descartes a Santo Anselmo, e que consistia em suscitar no interlocutor a procura de uma realidade que fosse maior do que a qual nada pudesse ser pensado. Tal realidade, defendiam estes pensadores, não podia ser outra que a de Deus. Deus teria, assim, de existir. A conclusão deste argumento resulta da constatação de que a existência é um predicado ou qualidade dessa realidade, pois se assim não fosse, tal não seria a maior realidade que poderíamos pensar, pois teria de existir outra ainda maior e que possuiria o predicado ou qualidade da existência.
Kant levanta um problema a este argumento, e que reside no facto da existência não poder ser um predicado de um conceito. Seguindo a linha de argumentação de Roger Scruton, e usando um exemplo que consideramos esclarecedor, “quando digo que João existe, é calvo e come ostras, estou a atribuir a João duas propriedades e não três (...) dizer que um x existe é não acrescentar nada ao seu conceito: é dizer que o conceito tem consistência". Kant vê no argumento ontológico uma contradição, pois não é o facto de introduzirmos a existência na coisa que viabiliza a passagem do conceito da coisa à sua realidade efectiva. Tal adição apenas a torna oca. Não é pelo facto de qualquer coisa até poder ser ideal que a torna real. O ideal da coisa não afirma, per si, a existência da coisa. Deus é, quando muito, uma ideia, e nada mais. Se o argumento ontológico fosse válido, conclui Kant, a proposição "Deus existe" exprimiria uma verdade analítica, mas a rejeição da existência enquanto predicado implica precisamente o contrário: o carácter sintético dos juízos existenciais.
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