Estética e Modernidade
Da análise que fazemos do sentimento estético, estamos convencidos de que as conclusões Kantianas são de louvar, e de que à questão de se saber se os contornos reflexivos deste pensador não acabam eles próprios por partilhar dos mesmos pressupostos da sua teoria do conhecimento, moral e política - alegadamente "individualistas" - respondemos de uma forma aparentemente simples: nem a sua teoria do conhecimento e nem a sua teoria moral assentam em tais pressupostos, pois longe de se revelarem uma filosofia dogmática, revelam-se, muito mais, uma filosofia humana, levando mesmo os seus leitores a empreenderem um estado de consciência que deve a nosso ver ser transportado para os nossos dias.
Kant teve o mérito de "desligar" a arte de qualquer telos (que não fazia sentido pois a arte não tem de estar ao serviço do que quer que seja), criando uma terceira critica, a CFJ, verdadeiramente surpreendente e inesgotável, pois sempre passível de aplicação à cada vez mais paradoxal experiência contemporânea . Esta obra estabelece relações que são hoje tidas como fulcrais: entre a arte e a vida, a estética e a moral, a politica e a estética, a modernidade e a pós-modernidade. Kant foi também decisivamente ilustre ao romper com as teleologias dogmáticas da historia, pois se o posterior Hegel sabiamente nos fez compreender que os homens não começam a sua vida como se de um papel em branco se tratasse, o criticismo Kantiano surge ainda como forma de limite à razão, que com Hegel adquiriu contornos mágico-proféticos que, convenhamos, largamente superaram a sua capacidade.
Um outro aspecto que não é muito divulgado no pensamento de Kant, mas que está patente na CFJ e se enquadra perfeitamente naquela que deveria ser hoje uma preocupação premente, consiste na reflexão (que se banalizou de ecológica) para com a natureza – quer entendida em sentido amplo ou enquanto beleza natural. A natureza deixa de ser entendida como natureza-mãe que deveríamos cuidar com respeito mas com distância e até desconfiança, mas uma natureza que mais não é que a nossa própria estruturação cognitiva e humana. Isto implica considerações importantíssimas, pois tratar a natureza como um fim significa tratarmo-nos e sentirmo-nos a nós próprios e à restante humanidade como fins e não como meios, e isto é sentirmo-nos condignamente.
Kant teve o mérito de "desligar" a arte de qualquer telos (que não fazia sentido pois a arte não tem de estar ao serviço do que quer que seja), criando uma terceira critica, a CFJ, verdadeiramente surpreendente e inesgotável, pois sempre passível de aplicação à cada vez mais paradoxal experiência contemporânea . Esta obra estabelece relações que são hoje tidas como fulcrais: entre a arte e a vida, a estética e a moral, a politica e a estética, a modernidade e a pós-modernidade. Kant foi também decisivamente ilustre ao romper com as teleologias dogmáticas da historia, pois se o posterior Hegel sabiamente nos fez compreender que os homens não começam a sua vida como se de um papel em branco se tratasse, o criticismo Kantiano surge ainda como forma de limite à razão, que com Hegel adquiriu contornos mágico-proféticos que, convenhamos, largamente superaram a sua capacidade.
Um outro aspecto que não é muito divulgado no pensamento de Kant, mas que está patente na CFJ e se enquadra perfeitamente naquela que deveria ser hoje uma preocupação premente, consiste na reflexão (que se banalizou de ecológica) para com a natureza – quer entendida em sentido amplo ou enquanto beleza natural. A natureza deixa de ser entendida como natureza-mãe que deveríamos cuidar com respeito mas com distância e até desconfiança, mas uma natureza que mais não é que a nossa própria estruturação cognitiva e humana. Isto implica considerações importantíssimas, pois tratar a natureza como um fim significa tratarmo-nos e sentirmo-nos a nós próprios e à restante humanidade como fins e não como meios, e isto é sentirmo-nos condignamente.
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