Humildade Gnoseológica de Kant

Kant não se deixou enredar pelo puro idealismo, aquele idealismo que renuncia a toda a substancialidade de outro que não o Eu glorioso. Kant tinha consciência do carácter finito deste sujeito construtor, de um sujeito que não tem no seu término o que as tendências hedonísticas ou os posteriores positivistas nos quiseram fazer supor. É como se a pergunta ruinosa pelo fundo perpétuo e obscuro das superfícies fosse inevitável, sobretudo para quem possui a humildade e inteligência suficientes para ver que este sujeito tem no seu ser tanto de poderoso como de insignificante ao mesmo tempo.
Artur Moura
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