O que é um conceito indeterminado dentro da Estética de Kant
Só é possível admitirmos a existência de juízos reflexivos, se considerarmos a existência de conceitos indeterminados. É com a noção de conceito indeterminado – conceitos base do juízo reflexivo - que Kant acaba por dar a derradeira solução ao raciocínio que baptizou de antinomia do gosto. Um conceito indeterminado é aquele que não resulta de uma necessidade e universalidade absolutas, pois não deriva de uma mera concatenação formal das nossas intuições sensíveis, mas de um processo de "toma lá, dá cá" (ou vaivém) entre as nossas faculdades da imaginação e do entendimento. Ao não estarem dependentes de uma determinação externa, estes conceitos não o são segundo as suas condições necessárias e suficientes. Eles não garantem uma captação imediata e universal do seu objecto. São, isso sim, formados através de uma associação privada (ou subjectiva) de ideias, onde a função da imaginação já não tem um papel meramente esquemático mas preponderante, pois equipotente às faculdades da sensibilidade e entendimento. É mediante um misterioso poder de projectar imagens sobre outras e imagens sobre conceitos que a imaginação vai, agora, actuar, e num processo que envolve, claro está, o entendimento.
Porque não deixam de ser conceitos, os conceitos indeterminados aspiraram (ou reclamam) universalidade. Não podem ser por isso o resultado de uma mera sensação subjectiva, pois apesar de não serem determinados, não deixam de apontar para uma finalidade: é o que Kant designa de finalidade sem fim ou conforme os nossos fins subjectivos (finalidade subjectiva).
Este último raciocínio é importante. Kant não pretende acrescentar mais um "mundo" objectivo ao mundo da liberdade e ao da natureza, devidamente delimitados e legislados; ele não pretende acrescentar mais um mundo objectivo ao seu sistema filosófico – e que seria o mundo da estética -, o que ele faz é reconciliar os mundos da natureza e da liberdade mediante uma faculdade do espírito até então não explorada por nenhum outro filósofo: a faculdade do juízo.
Artur Moura
Porque não deixam de ser conceitos, os conceitos indeterminados aspiraram (ou reclamam) universalidade. Não podem ser por isso o resultado de uma mera sensação subjectiva, pois apesar de não serem determinados, não deixam de apontar para uma finalidade: é o que Kant designa de finalidade sem fim ou conforme os nossos fins subjectivos (finalidade subjectiva).
Este último raciocínio é importante. Kant não pretende acrescentar mais um "mundo" objectivo ao mundo da liberdade e ao da natureza, devidamente delimitados e legislados; ele não pretende acrescentar mais um mundo objectivo ao seu sistema filosófico – e que seria o mundo da estética -, o que ele faz é reconciliar os mundos da natureza e da liberdade mediante uma faculdade do espírito até então não explorada por nenhum outro filósofo: a faculdade do juízo.
Artur Moura
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