Pensar Com: Rui Costa (Docente de Educação Musical)
Texto gentilmente cedido por RUI COSTA, numa análise crudelíssima do perigo que ainda é deixarmos cair no esquecimento (chocante!!) aqueles que, de facto, na música, foram mesmo muito muito grandes. E Chopin é o eterno professor da sensibilidade:
«Em ano de muitas celebrações, entre as quais a da República, assinalam-se também os 200 anos do nascimento do compositor e pianista polaco Frédéric Chopin (1810-1849). Só podemos saudar o realce dado a tal efeméride, mas não podemos deixar de lamentar a falta de preocupação da parte das entidades culturais da República Portuguesa (desde jornais até organismos estatais) em procurar relacionar a obra do compositor com o nosso tempo. Podemos admitir que só o génio de Chopin e a beleza da sua obra - exclusivamente pianística- serão suficientes para que a sua música fale a qualquer audiência, de qualquer época ou lugar do nosso planeta. O mesmo aconteceria com obras literárias como “Os Lusíadas” de Luís de Camões ou “Os Maias” de Eça de Queiroz. Há uma crença, entre certos sectores da nossa vida cultural, de que as grandes obras serão, só por si, eternas e falarão a todas as gerações. Pensamos que esta ideia é o caminho mais rápido para que estas obras caiam no mais absoluto esquecimento.
A via mais natural para uma abordagem desta riquíssima “tradição cultural” passa por saber olhá-la a partir do nosso tempo e da nossa sensibilidade, diferentes, com toda a certeza, da do tempo em que tais obras foram escritas.
Ora, curiosamente, a obra de Chopin oferece “pano para mangas” no que a esse exercício de relacionação diz respeito. Chopin, pela sua situação de polaco exilado em França, pelo facto de ter combinado, em algumas das suas obras, elementos retirados da música alemã (concretamente da herança de J.S. Bach), da ópera italiana e da música folclórica polaca, oferece-nos um exemplo notável e avant la lettre, ou seja , “antes do tempo”, de verdadeira interculturalidade. Poderíamos então descortinar na obra do compositor a ideia pioneira de qualquer coisa como uma “União Europeia” musical? Ou seria, pelo contrário, Chopin um homem nostálgico pela sua pátria perdida, sendo a sua música, em parte, o reflexo da ânsia pelo regresso a casa?
A resposta a estas perguntas exigiria uma investigação em profundidade da vida e obra do compositor, mas independentemente dos resultados, o facto de o músico parecer ter vivenciado, na sua arte como na sua vida, o conflito entre o “nacionalismo” e o “cosmopolitismo” conferem-lhe, em tempos de globalização, uma actualidade indiscutível.
Actualidade terá igualmente a obra de outro músico, desta vez da área do Jazz, também ele a celebrar 100 anos: Django Reinhardt (1910-1953). Django foi um cigano de origem Belga (ou vice-versa) que é ainda hoje considerado por muitos o maior músico de Jazz europeu, bem como o maior guitarrista de todos os tempos. Influenciou praticamente todos os guitarristas de todos os géneros musicais. Na sua música soube combinar de forma magistral, a música popular francesa (o “musette”), o jazz, a música clássica europeia e a música cigana. Foi, com certeza, um dos primeiros músicos “globais“, tendo ultrapassado com mestria as aparentemente intransponíveis fronteiras entre mundos tão distantes. A sua música festiva pode muito bem servir de banda sonora ao que de melhor tem o nosso tempo: a abertura de fronteiras, um melhor conhecimento intercultural e a possibilidade de todas as culturas do mundo aprenderem umas com as outras, daí resultando um enriquecimento mútuo...
Em ano de muitas celebrações, entre as quais a da República, assinalam-se também os 200 anos do nascimento do compositor e pianista polaco Frédéric Chopin (1810-1849). Só podemos saudar o realce dado a tal efeméride, mas não podemos deixar de lamentar a falta de preocupação da parte das entidades culturais da República Portuguesa (desde jornais até organismos estatais) em procurar relacionar a obra do compositor com o nosso tempo. Podemos admitir que só o génio de Chopin e a beleza da sua obra - exclusivamente pianística- serão suficientes para que a sua música fale a qualquer audiência, de qualquer época ou lugar do nosso planeta. O mesmo aconteceria com obras literárias como “Os Lusíadas” de Luís de Camões ou “Os Maias” de Eça de Queiroz. Há uma crença, entre certos sectores da nossa vida cultural, de que as grandes obras serão, só por si, eternas e falarão a todas as gerações. Pensamos que esta ideia é o caminho mais rápido para que estas obras caiam no mais absoluto esquecimento.
A via mais natural para uma abordagem desta riquíssima “tradição cultural” passa por saber olhá-la a partir do nosso tempo e da nossa sensibilidade, diferentes, com toda a certeza, da do tempo em que tais obras foram escritas.
Ora, curiosamente, a obra de Chopin oferece “pano para mangas” no que a esse exercício de relacionação diz respeito. Chopin, pela sua situação de polaco exilado em França, pelo facto de ter combinado, em algumas das suas obras, elementos retirados da música alemã (concretamente da herança de J.S. Bach), da ópera italiana e da música folclórica polaca, oferece-nos um exemplo notável e avant la lettre, ou seja , “antes do tempo”, de verdadeira interculturalidade. Poderíamos então descortinar na obra do compositor a ideia pioneira de qualquer coisa como uma “União Europeia” musical? Ou seria, pelo contrário, Chopin um homem nostálgico pela sua pátria perdida, sendo a sua música, em parte, o reflexo da ânsia pelo regresso a casa?
A resposta a estas perguntas exigiria uma investigação em profundidade da vida e obra do compositor, mas independentemente dos resultados, o facto de o músico parecer ter vivenciado, na sua arte como na sua vida, o conflito entre o “nacionalismo” e o “cosmopolitismo” conferem-lhe, em tempos de globalização, uma actualidade indiscutível.
Actualidade terá igualmente a obra de outro músico, desta vez da área do Jazz, também ele a celebrar 100 anos: Django Reinhardt (1910-1953). Django foi um cigano de origem Belga (ou vice-versa) que é ainda hoje considerado por muitos o maior músico de Jazz europeu, bem como o maior guitarrista de todos os tempos. Influenciou praticamente todos os guitarristas de todos os géneros musicais. Na sua música soube combinar de forma magistral, a música popular francesa (o “musette”), o jazz, a música clássica europeia e a música cigana. Foi, com certeza, um dos primeiros músicos “globais“, tendo ultrapassado com mestria as aparentemente intransponíveis fronteiras entre mundos tão distantes. A sua música festiva pode muito bem servir de banda sonora ao que de melhor tem o nosso tempo: a abertura de fronteiras, um melhor conhecimento intercultural e a possibilidade de todas as culturas do mundo aprenderem umas com as outras, daí resultando um enriquecimento mútuo...»
«Em ano de muitas celebrações, entre as quais a da República, assinalam-se também os 200 anos do nascimento do compositor e pianista polaco Frédéric Chopin (1810-1849). Só podemos saudar o realce dado a tal efeméride, mas não podemos deixar de lamentar a falta de preocupação da parte das entidades culturais da República Portuguesa (desde jornais até organismos estatais) em procurar relacionar a obra do compositor com o nosso tempo. Podemos admitir que só o génio de Chopin e a beleza da sua obra - exclusivamente pianística- serão suficientes para que a sua música fale a qualquer audiência, de qualquer época ou lugar do nosso planeta. O mesmo aconteceria com obras literárias como “Os Lusíadas” de Luís de Camões ou “Os Maias” de Eça de Queiroz. Há uma crença, entre certos sectores da nossa vida cultural, de que as grandes obras serão, só por si, eternas e falarão a todas as gerações. Pensamos que esta ideia é o caminho mais rápido para que estas obras caiam no mais absoluto esquecimento.
A via mais natural para uma abordagem desta riquíssima “tradição cultural” passa por saber olhá-la a partir do nosso tempo e da nossa sensibilidade, diferentes, com toda a certeza, da do tempo em que tais obras foram escritas.
Ora, curiosamente, a obra de Chopin oferece “pano para mangas” no que a esse exercício de relacionação diz respeito. Chopin, pela sua situação de polaco exilado em França, pelo facto de ter combinado, em algumas das suas obras, elementos retirados da música alemã (concretamente da herança de J.S. Bach), da ópera italiana e da música folclórica polaca, oferece-nos um exemplo notável e avant la lettre, ou seja , “antes do tempo”, de verdadeira interculturalidade. Poderíamos então descortinar na obra do compositor a ideia pioneira de qualquer coisa como uma “União Europeia” musical? Ou seria, pelo contrário, Chopin um homem nostálgico pela sua pátria perdida, sendo a sua música, em parte, o reflexo da ânsia pelo regresso a casa?
A resposta a estas perguntas exigiria uma investigação em profundidade da vida e obra do compositor, mas independentemente dos resultados, o facto de o músico parecer ter vivenciado, na sua arte como na sua vida, o conflito entre o “nacionalismo” e o “cosmopolitismo” conferem-lhe, em tempos de globalização, uma actualidade indiscutível.
Actualidade terá igualmente a obra de outro músico, desta vez da área do Jazz, também ele a celebrar 100 anos: Django Reinhardt (1910-1953). Django foi um cigano de origem Belga (ou vice-versa) que é ainda hoje considerado por muitos o maior músico de Jazz europeu, bem como o maior guitarrista de todos os tempos. Influenciou praticamente todos os guitarristas de todos os géneros musicais. Na sua música soube combinar de forma magistral, a música popular francesa (o “musette”), o jazz, a música clássica europeia e a música cigana. Foi, com certeza, um dos primeiros músicos “globais“, tendo ultrapassado com mestria as aparentemente intransponíveis fronteiras entre mundos tão distantes. A sua música festiva pode muito bem servir de banda sonora ao que de melhor tem o nosso tempo: a abertura de fronteiras, um melhor conhecimento intercultural e a possibilidade de todas as culturas do mundo aprenderem umas com as outras, daí resultando um enriquecimento mútuo...
Em ano de muitas celebrações, entre as quais a da República, assinalam-se também os 200 anos do nascimento do compositor e pianista polaco Frédéric Chopin (1810-1849). Só podemos saudar o realce dado a tal efeméride, mas não podemos deixar de lamentar a falta de preocupação da parte das entidades culturais da República Portuguesa (desde jornais até organismos estatais) em procurar relacionar a obra do compositor com o nosso tempo. Podemos admitir que só o génio de Chopin e a beleza da sua obra - exclusivamente pianística- serão suficientes para que a sua música fale a qualquer audiência, de qualquer época ou lugar do nosso planeta. O mesmo aconteceria com obras literárias como “Os Lusíadas” de Luís de Camões ou “Os Maias” de Eça de Queiroz. Há uma crença, entre certos sectores da nossa vida cultural, de que as grandes obras serão, só por si, eternas e falarão a todas as gerações. Pensamos que esta ideia é o caminho mais rápido para que estas obras caiam no mais absoluto esquecimento.
A via mais natural para uma abordagem desta riquíssima “tradição cultural” passa por saber olhá-la a partir do nosso tempo e da nossa sensibilidade, diferentes, com toda a certeza, da do tempo em que tais obras foram escritas.
Ora, curiosamente, a obra de Chopin oferece “pano para mangas” no que a esse exercício de relacionação diz respeito. Chopin, pela sua situação de polaco exilado em França, pelo facto de ter combinado, em algumas das suas obras, elementos retirados da música alemã (concretamente da herança de J.S. Bach), da ópera italiana e da música folclórica polaca, oferece-nos um exemplo notável e avant la lettre, ou seja , “antes do tempo”, de verdadeira interculturalidade. Poderíamos então descortinar na obra do compositor a ideia pioneira de qualquer coisa como uma “União Europeia” musical? Ou seria, pelo contrário, Chopin um homem nostálgico pela sua pátria perdida, sendo a sua música, em parte, o reflexo da ânsia pelo regresso a casa?
A resposta a estas perguntas exigiria uma investigação em profundidade da vida e obra do compositor, mas independentemente dos resultados, o facto de o músico parecer ter vivenciado, na sua arte como na sua vida, o conflito entre o “nacionalismo” e o “cosmopolitismo” conferem-lhe, em tempos de globalização, uma actualidade indiscutível.
Actualidade terá igualmente a obra de outro músico, desta vez da área do Jazz, também ele a celebrar 100 anos: Django Reinhardt (1910-1953). Django foi um cigano de origem Belga (ou vice-versa) que é ainda hoje considerado por muitos o maior músico de Jazz europeu, bem como o maior guitarrista de todos os tempos. Influenciou praticamente todos os guitarristas de todos os géneros musicais. Na sua música soube combinar de forma magistral, a música popular francesa (o “musette”), o jazz, a música clássica europeia e a música cigana. Foi, com certeza, um dos primeiros músicos “globais“, tendo ultrapassado com mestria as aparentemente intransponíveis fronteiras entre mundos tão distantes. A sua música festiva pode muito bem servir de banda sonora ao que de melhor tem o nosso tempo: a abertura de fronteiras, um melhor conhecimento intercultural e a possibilidade de todas as culturas do mundo aprenderem umas com as outras, daí resultando um enriquecimento mútuo...»
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