Juízo de Gosto | KANT | Juízo de Conhecimento
Quando ouvimos uma música que nos agrada, temos de imediato a sensação de «trabalharmos» imagens que se seguem de uma forma nem sempre organizada mas que, ainda assim, surgem-nos como que com uma estrutura, e que se traduz mediante um sentimento que apresenta uma lógica coerente, mesmo que não determinada. Como aponta Ferry, o que ocorre é um “jogo da imaginação [que] embora permaneça puramente na ordem da sensibilidade e não recorra a qualquer conceito para regular a sua organização, estrutura-se, apesar de tudo, como se pudesse satisfazer por si próprio as exigências de regras que são as de um juízo de conhecimento”. Falamos assim de um acordo entre imaginação e entendimento, mas um acordo que é livre, pois contingente e subjectivo . É o que Kant vai designar de «sensação de vida», prazer e liberdade. A contraposição com o juízo determinante surge de imediato, pois já não é possível pensarmos numa ciência do belo no sentido de arte poética ou seja em que sentido for, pois se o juízo de conhecimento se traduz num juízo lógico e objectivo, se resulta da espontaneidade com que a nossa faculdade do entendimento aplica o conceito à intuição sensível de uma forma determinada, o juízo reflexivo, mais do que uma operação lógica ou uma necessidade mecânica, reflecte uma sensação de radical liberdade frente à empiria, e por isso é comummente designado de juízo contemplativo.
Martinho Moura
Martinho Moura

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