background="http://imageshack.us/a/img694/834/artur7.jpg">
my compositions:                        

Saturday, May 25, 2019

Pessoa e alma

Eu sou uma pessoa porque tenho uma alma. Ser pessoa significa, no essencial, isto: alma. Evidentemente que eu não posso provar isto, mas posso sentir isso, sim. Trata-se dum sentimento subjetivo e universal. Só por isso sentimos estar perante pessoas. O que distingue uma pessoa dos restantes seres animados e inanimados é precisamente isso, e é isso que nos torna tão especiais. Evidentemente que eu não posso provar que estou diante de uma pessoa, mas eu acabo por dizer que conheço esta pessoa; eu pressinto que esta alma que está à minha frente é precisamente isso: mais do que causalidade física e lógica e instinto e biologia e processamento. Por isso que uma pessoa é eterna, já um bicho não, bem como uma pedra, e só por isso a pessoa nos toca muitíssimo mais do que o bicho, e isto não é uma questão cultural. Como eu disse já, jamais poderei provar isso precisamente porque uma pessoa não é uma realidade lógico-abstrata. Em última instância, só a lógica é absoluta, só ela é realidade válida ainda que ela, de facto, nada represente. Agora reparem nisto: eu de facto não posso provar que existam pessoas ou "eus" substanciais assim como não posso provar que Deus existe. Porque? Porque não estamos a falar de realidades lógicas nem físicas. A lógica é do domínio da possibilidade absoluta. A física não. Seja como for, quando digo que "os metais dilatam com o calor" o que a minha mente faz é, de facto, uma união misteriosa com o universo da física e o universo da lógica. Só por isso estabeleço leis universais, como a lei "a água ferve a 100º". Até aqui, posso, efectivamente, descrever a espécie homo sapiens em termos físicos... biológicos. Mas... é tudo o que eu tenho a dizer dela? Não e pelo contrário,só digo precisamente o que é residual, mas na sua essência trata-se, efetivamente, de uma pessoa ou alma que participa na Pessoa de Deus. Quando eu defendo que Deus é, efetivamente, uma pessoa tal como as pessoas que me rodeiam, o que quero dizer é que, assim como não encontro provas matemáticas e físicas da existência de pessoas, também não as tenho de Deus, nem delas preciso; nem das provas da existência de pessoas nem de Deus. Não me peçam por isso provas racionais da existência de Deus. Precisamente por tratar-se de algo pessoal, subjetivo, mas que existe, reflexivamente. Deus é assim uma pessoa como a pessoa que tenho em mim ou à minha frente? Não,na medida em que somos participação da inteligência e do sentido; inteligência esta que sustenta toda a realidade, o que inclui a lógica, a física, o amor a verdade e o belo. Seja como for, uma pessoa é, de facto, também ela divina, e por isso é uma obra de arte. Aproveito para dizer que é uma tolice exigir transparência a uma pessoa. Uma obra de arte nunca é transparente. Agora note-se isto. O amor é uma realidade física, assim como uma obra de arte? Certo, claro que sim. Mas é do domínio da ciência e da técnica? Evidentemente que não. Nenhuma inteligência artificial será capaz de produzir o belo ou o amor pois estamos a falar de realidades que são, de facto, metafísicas, que estão para além da física, ainda que também sejam do domínio da física. Por isso um computador jamais poderá fazer uma música ou pintura. Pode fazer barulhos e desenhos, mas não pode fazer arte. Ao mesmo tempo, quem não nasceu músico não pode fazer música por aprendizagem. Pode representar música dos outros, mas não criar música. O poeta, de facto, nasce. Música e arte só resultam de alguém que tem uma alma, ainda que só algumas almas as possam realizar, ou, em última instância, pode realizar quando Deus permite e quem ele decide que as pode fazer. Concluíndo: a alma existe, tal como Deus ou o belo ou o amor? Claro que sim. Posso provar pela razão? Claro que não? Posso sentir? Claro que sim

0 Comments:

Post a Comment

Subscribe to Post Comments [Atom]

<< Home