background="http://imageshack.us/a/img694/834/artur7.jpg">
my compositions:                        

Thursday, May 23, 2019

...sobre a alma

Eu posso dizer que tenho uma alma pelo sentimento reflexivo da própria experiência de liberdade e desinteresse de uma contemplação/experiência estética. Sim: o sentimento faz da minha mente uma alma ou, também, uma alma. O facto de a mente ter uma base biológica não significa que eu não tenha uma alma, como algumas leituras de alguns neurocientistas parecem sugerir. As afirmações de alguns cientistas e neurocientistas de nomeada ficam, assim, refutadas. Afirmações de que não existe alma e de que "o que somos parece não flutuar no ar" devem ser, assim, relativizadas. Dizer que não há alma pois o que flutua no ar "pode ser destruído com os nossos lobos frontais "é, pois, uma afirmação redutora do que nos torna humanos. Somos razão e sentimento e pela razão e sentimento facilmente sentimos que temos uma alma. Sentimos que conseguimos atos desinteressados pela via do sentimento e não apenas pela via da razão. A genuína experiência estética é uma prova de que o desinteresse é possível, e somos potencialmente desinteressados quando desvelamos que temos uma alma imortal. Nesta mesma linha de raciocínio, podemos obviamente sentir Deus, que é o Sentido do qual a nossa alma participa. O argumento de autores como António Damásio de que tudo se reduz ao que é biológico e que a razão é ela própria biológica é infantil. A razão resulta de termos uma alma e é o sentimento do nosso corpo que nos diz isso quando, por exemplo, contemplamos uma obra de arte: uma verdadeira obra de arte que, também ela - e quando genuína - é participação divina. Não é o corpo que me diz que só tenho corpo mas é precisamente o contrário: O corpo diz-me, pela via do sentimento e do intelecto, que tenho uma alma cujo próprio corpo nela está adentrado. Filósofos como Kant destronam, assim e de uma maneira aparentemente simples, uma grande parte de neurocientistas contemporâneos. António Damásio parece sugerir que essa coisa da razão pura não existe e autointitula-se como o descobridor do erro de Descartes. Ora: é evidente que a razão não é pura; ela também resulta de interesses, paixões sentimentos e sensações. Mas daqui não posso concluir que a mente é apenas biológica; pelo contrario; é porque tenho corpo que - pela via do sentimento estético - percebo que tenho, também, uma alma. E a alma nada mais é do que isto: a perceção sensorial de que sou bem mais do que um corpo interessado e interesseiro, ainda que esta verdade me venha por um sentimento. Um nobre sentimento.

0 Comments:

Post a Comment

Subscribe to Post Comments [Atom]

<< Home