Descoberta científica?
Quando o cientista descobre algo e o formaliza em uma fórmula matemática, mais não nos está a dizer que esta fórmula matemática é pré-existente e válida eternamente muito antes de tudo o que acontece ou do que ele descobriu. Quem disser que só é científico ou, melhor, só tem sentido o que é matematizável, e que só é matematizável o que é verificável (invalidando, assim, a metafísica - a alma, a existências de Deus e de um universo com sentido) não está a entender que, se eu consigo expressar leis da natureza de uma forma matematizada, é porque essa fórmula foi válida no mundo dos princípios - tal e qual como está defendido nas filosofias de Sócrates, Platão e Aristóteles, mas, também, nas profecias de Israel e na mensagem de Cristo. Significa, com isto, que eu vou conhecer a natureza tal qual ela é em si? Evidentemente que não, apenas na medida em que a natureza não é redutível ao universo matemático por se dar em um tempo que não é o intemporal divino. Significa que eu vou desistir da ciência? Evidentemente que não; mas o ente da natureza não se auto-sustenta, ainda que resulte de fórmulas eternamente dadas, e que incluem, também, a possibilidade da inteligência humana. Trata-se da pré-existência eterna do logos divino, sem o qual não é possível a ciência. Mais do que matéria de fé, isto é, no meu entender, a base de qualquer ciência e é por aqui que devemos começar, tal como defendem filósofos como Bergson. As fórmulas matemáticas não são, assim, inventadas pelo homem. Também não resultam da experiência dos sentidos. Se resultassem da experiência dos sentidos, seriam contingentes pois estes só nos dão realidades particulares. Se fossem criações humanas, não estariam no ente conhecido. É por dizermos que estão no ente conhecido, independentemente do meu pensamento e ainda que sintetizado por ele e sempre em participação, que só podem resultar de uma presença que me antecede ou, melhor, de um princípio absoluto.
Tudo isto pode ser intuído e, daí, a importância da intuição - a captação de uma presença não mediada por um conceito determinado. Os génios musicais, os poetas e místicos e sábios, têm o dom de não precisarem de explicar o que quer que seja - eles desvelam quase tudo num tempo, e o Ser dá-se, sempre, em uma indefinição - nas entrelinhas. O que há de mais importante, como dirá Wittgenstein, jamais poderá, assim, ser verbalizado, mesmo que exista.
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