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Wednesday, September 08, 2021

Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino e MacIntyre

Evidentemente que Bento XVI não é o único intelectual crítico do idealismo. Ao substituir o Deus Cristão por um postulado da razão, a filosofia de Kant terá de enfrentar, com justeza, a contundente crítica de muitos pensadores de timbre aristotélico e/ou tomista – ou, para falarmos de uma forma mais específica: intelectuais católicos. É o caso do seu expoente maior: Alasdeir MacIntyre. MacIntyre é um filósofo contemporâneo que nos alerta para o facto de que não há outro sítio, para a verdade, que a nossa narrativa. Querer fugir à realidade e fixarmo-nos em conceitos a-históricos, como o faz Kant, é entrar em uma falsa realidade (ou ideologia). Para este filósofo escocês, a realidade, qua narrativa histórica, é o terreno da verdade. Ela é orgânica e interdependente nos seus domínios, o que inclui o linguístico e o pré-linguístico, as várias espécies – de entre as quais a que tem, escreve Ratzinger, “uma perceção do divino” (a humana). Esta perceção do divino não é de todo dissociável do processo de conhecimento científico. A investigação do conhecimento (científico) dirige-se, tal como defendera Aristóteles – e de uma forma que é sempre misteriosa –, em direção ao conhecimento das essências. Tomás de Aquino vai mais longe. Este Santo nega a possibilidade do conhecimento de essências, exceto através de seus efeitos (a realidade); o objeto do conhecimento humano não é a própria essência de um objeto, mas a quidditas de um particular por meio da qual chegamos a compreender, tanto quanto podemos, a essência de tudo o que seja – o particular é revelador do universal, sendo que este último – até onde podemos conhecer e dentro dos limites da nossa perceção – é também a demonstração de que o imaterial, ou o real, existe. Com efeito, para S. Tomás, e ao contrário do que acontece com a filosofia de conhecimento de Kant (que acaba por resultar em um monismo), o conhecimento (…) não é portanto constituído meramente pelo sujeito ou modificações do sujeito. Ora, como por outro lado temos de sustentar que o dado objetivo só pode ser conhecido sob a condição de se tornar subjetivo, fica-nos apenas uma conclusão; afirmar que o sujeito e o objeto, no acto do conhecimento, formam uma síntese real; que os liga certa afinidade de constituição verdadeiramente fundamental, radicada no ser.

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