Richard. D. James (APHEX TWIN)
Aphex Twin? Sobre este não é fácil escrever! Poderia descrever as suas qualidades geniais de compositor, não estivesse este conceito preso a uma linguagem que há muito tempo Richard. D. James ultrapassou. Este músico consegue em três minutos de áudio fazer o que a maior parte dos mortais não faz numa vida… em duas, três ou quantas lhes quiserem por em cima. Não é autor para a maior parte dos mortais ouvir, sobretudo para os que pensam que música é aquilo que passa nas rádios, as bandas dos quatro instrumentos ou a orquestra com todas as cordas e afins utensílios.Ocorre-me grafar sobre uma simples e bela melodia de piano - “Avril 14th” (in Drukqs) - do género que não me pasmaria ouvir tocar ao meu irmão num qualquer sintetizador rasca lá do quarto, mas que aqui surpreende! A sua beleza espantou-me. Delicioso e tão delicado, pequenos suspiros em forma de canção de embalar. Música simples.
Numa audição mais atenta, apercebemo-nos que não estamos perante o som de um sintetizador rasca mas – e o que não é espanto! – de um novo som de “piano acústico”. Este compositor cria mesmo novos sons. Os ‘outros’… limitam-se a imitar (e a vender).
Imiscuído com a minha própria história de ouvinte, ao ponto de a certa altura não sentir necessidade de ouvir qualquer outra coisa (não fosse a minha vontade de tudo querer abarcar), os ruídos deste músico despertaram-me para a música ambiente, a clássica, a instrumental, a experimental… e até para a não música, vejam só!
Os génios são difíceis pois estão para além das conformidades. Este está mesmo muito longe delas! Para quem gosta de engavetar, esqueçam a referência.
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