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Artistas e filósofos tomam partido por alguma ideia, e esta tomada de posição não deixa de ser uma decisão moral que cabe a cada um de nós acolher, reflectir e interpretar. Quando Cacciola escreve que, tal como o artista, “o filósofo é genial quando apreende o mundo de modo intuitivo e não apenas discursivo”, pretende precisamente enfatizar a interdependência que existe entre a sensibilidade e o entendimento, a estética e a filosofia, a intuição e a lógica; e de como esta interdependência pode ser produtiva para ambas as partes. Partir do pressuposto de que a estética é do domínio da intuição sensível - dado aparentemente óbvio - mas que tal não implica necessariamente um divórcio com a lógica – ou, digamos, com uma certa legalidade – e de que a racionalidade só é verdadeiramente exercida – ou é de melhor forma exercida – no esforço que faz de superação de si própria ao evocar ideias como as de sistematicidade, finalidade, espiritualidade universal e sentido; significa partir de um pressuposto que ajuda à compreensão do projecto da modernidade (ou no que neste deve ser valorizado e incessantemente trazido à reflexão, compreensão e exploração); mas implica também uma melhor compreensão e interpretação da nossa época, na medida em que, porventura, melhor habitaremos a nossa racionalidade.
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